segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Queria tanto e tão pouco...


Ao ler umas notas de uma amiga, que escreve fabulosamente, dei por mim a achar que sou uma carente por natureza. No entanto tudo deve ter uma explicação...e eu não fujo à regra, sinto mesmo uma falta de afectos que me assusta.

Assusta porque posso estar a fazer tudo errado, errado por estar na espera deles...enquanto pode haver quem algum dia me ame sem eu me dar conta, será?!
Eu sei que as filhas gostam de mim, mas eu preciso mesmo daquele abraço amado, daquele beijo com agrado, daqueles braços que me abraçam sem vontade de me largar, daquela mão que me aperta a outra mão em sinal do: estou aqui contigo!
Bastava-me um pouco de colo de mãe...oh meu Deus, com esta idade e a precisar de colo, mas para vos falar verdade deixei de o ter aos 11 anos...e deve ser essa a minha carência emocional...lolol...(aquilo que vos confesso)...eu farto-me de dar colo a quem amo.

A história é pequena, mas talvez tenha tomado proporções que nem devia, lembro de estar a mudar de casa tinha mesmo 11 anos, primeira mudança de casa, de "estado" pois de filha única, passei a ter dois irmãos gêmeos que faziam as delícias da família...e deu-me para chorar que tinha dor de cabeça...para chamar a atenção....só queria ir novamente para o colo da minha mãe...mas não tive essa sorte...e sei que foi a primeira noite que chorei baixinho até adormecer.

Estou a sonhar alto demais, a pedir algo numa altura da vida que já não deve existir, o ser amada por aquilo que sou...sem "pinturas" ou retoques...amar por amar.
Temos sempre a razão que ao dar-mos seremos retribuídos...mas não é assim...ou é? Estas minhas crises de existencialismo barato...não me levam a lado nenhum.

Célia Marie...pés assentes na terra e nada de divagações e sonhos.