domingo, 25 de março de 2012

Não te fies no tempo nem na eternidade.

Não te fies no tempo nem na eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, Amor, que amanhã eu morro,
que amanhã  morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, Amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, Amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo!

"Cecília Meireles"



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